Você sabe a diferença entre planta de situação e planta de localização?

0
11377
Fonte: Imagem retirada da apresentação do Prof. Smaniotto Junior

Esse artigo vai te explicar de maneira rápida e objetiva o que são planta de situação, planta de localização e a importância delas no projeto técnico.

Os dois desenhos são obrigatórios quando vamos entregar um trabalho na Prefeitura (aprovar um projeto legalmente). Essas pranchas são fundamentais no projeto executivo e no canteiro de obras, trazendo informações sobre o lote, seus limites, entorno, topografia e ocupação.

Porém antes de começar, é importante saber que planta de situação e planta de localização são coisas diferentes, cada uma delas é responsável por informações e especificações técnicas singulares.

Planta de situação

A planta de situação precisa mostrar as informações de localização do terreno, isso é, onde o projeto está situado em relação ao seu entorno, ela é uma visão 2d em vista aérea, pode ser feita a mão ou em softwares CAD.

O desenho é uma representação bem simplificada da vista superior do lote, vai apresentar o nome das ruas, volumetria dos lotes vizinhos. Também deve apresentar as dimensões e formato do lote onde se está construindo. É comum se mostrar um esboço do quarteirão onde o terreno está situado e pedaços dos quarteirões vizinhos.

Você sabe a diferença entre planta de situação e planta de localização?
Fonte: Desenho Técnico e Arquitetônico Faculdade Maurício de Nassau

Se o projeto for em áreas rurais também é preciso mostrar itens como vias de acesso, riachos, pontes, áreas de reserva, etc, quando as mesmas estiverem próximos ao lote.

As escalas mais utilizadas para esse tipo de desenho são: 1/500, 1/1000 e 1/2000. Isso pode variar dependendo do tamanho do lote e projeto.

Tanto a planta de situação quanto a de localização são desenhos importantes na hora de aprovar seu projeto no município, logo, é imprescindível que você consulte o Plano Diretor e o Código de obras da cidade onde está construindo e ver qual o check list de itens que seu desenho deve ter.


Seguindo as normas da NBR 6492, já falamos dela em um artigo sobre espessura de linhas, a planta de situação deve conter:

  • Simbologias de representação gráfica;
  • Curvas de nível existentes e projetadas, além de eventual sistema de coordenadas referenciais;
  • Indicação do norte (orientação do lote e da edificação);
  • Nome das vias de acesso, arruamento e logradouros adjacentes com os respectivos equipamentos urbanos;
  • Indicação das áreas a serem edificadas, com o contorno esquemático da cobertura das edificações;
  • Denominação dos diversos edifícios ou blocos;
  • Construções existentes, demolições ou remoções futuras, restrições e recuos;
  • Escala do desenho;
  • Notas gerais, desenhos de referência e carimbo.

É comum (as vezes obrigatório) incluir no desenho informações como cotas gerais do terreno, número do lote e dos lotes vizinhos.

A lista dos itens obrigatórios vai mudar de município para município, você deve sempre confirmar quais informações são necessárias para evitar retrabalho e atraso na obra.

Na hora de desenhar não podemos ignorar a hierarquia de traços, nessa planta é importante que o lote ganhe destaque, recomenda-se usar linhas mais grossas no contorno do terreno e uma hachura/cor que facilite o reconhecimento da área de projeto.

Para os elementos complementares espessura média e nos elementos secundários (como cotas, hachuras, linhas auxiliares, etc) podemos utilizar linhas mais finas.

Planta de localização

Já a planta de localização também conhecida como locação ou implantação, representa uma vista superior do terreno com o objetivo de mostrar como acontece a ocupação do projeto no lote.

Essa planta deve fornecer informações mais detalhadas sobre caminhos, cercas, muros, equipamentos, topografia, acessos, etc.

Você sabe a diferença entre planta de situação e planta de localização?
Implantação Casa FY. Projeto PJV Arquitetura

A NBR 6492 determina que a planta de localização/implantação deve conter:

  • Simbologia de representação gráfica conforme a Norma;
  • Sistema de coordenadas referenciais do terreno, curvas de nível;- Indicação do norte;
  • Indicação das vias de acesso à edificação, vias internas, estacionamentos, áreas cobertas, platôs e taludes;
  • Perímetro do terreno, marcos topográficos, cotas gerais e níveis principais;
  • Indicação dos limites externos das edificações: recuos e afastamentos;
  • Eixos do projeto;
  • Amarração dos eixos do projeto a um ponto de referência;
  • Denominação das edificações;
  • Identificação da escala;
  • Notas gerais, desenhos de referência e carimbo do profissional.

Aqui também não podemos ignorar a hierarquia de traços. Nessa planta é importante que a edificação ganhe destaque, recomenda-se usar linhas mais grossas no contorno do edifício, linhas médias para o contorno do terreno e linhas finas para os outros elementos.

Algumas pessoas costumam humanizar a implantação para facilitar a compreensão, isso é interessante para vender o projeto.

Você sabe a diferença entre planta de situação e planta de localização?
Reserva Caparaó. Projeto: MRV Engenharia

Porém, na hora da aprovação legal (aquela da prefeitura) talvez acabe te atrapalhando. A verdade é que varia muito de município para município, a maioria das que tive contato prefere o desenho mais limpo e técnico.

As escalas mais utilizadas para plantas de localização são: 1/100, 1/200, 1/250, 1/500 e 1/1000. Isso vai variar dependendo do tamanho do lote e projeto.

Geralmente vamos utilizar essas escalas maiores em áreas rurais ou implantações de condomínios e projetos com várias edificações.

Fatores que importantes na hora de pensar o projeto nas suas plantas de situação e localização

1.Preferências do cliente

Os futuros moradores da casa são fundamentais na hora de pensarmos no posicionamento da edificação dentro do lote, após aplicar todos os índices obrigatórios, recuos, taxa de ocupação, etc.

Os responsáveis pelo projeto devem conversar com os clientes para saber qual é a opinião sobre a disposição dos espaços desejados. Observando que temos sempre a obrigação de orientar e dizer quais soluções são melhores e por quais motivos.

Exemplo: Sra Cliente acho que é melhor colocar sua sala aqui porque a iluminação natural é melhor tais horários… podemos usar aquela parte mais alta do terreno para fazer tal coisa e ter uma vista panorâmica…aterrar tudo pode sair x% mais caro, etc.

2.Topografia do terreno

Devemos sempre levar em consideração a topografia do terreno e o tipo de solo. As diferenças de nível no terreno devem ser tratadas com cautela para que não fique algo muito diferente do nível da rua.

É interessante mostrar as áreas que serão valorizadas colocando-as em partes mais altas no terreno. Aterramentos, nivelamentos e outras modificações no terreno podem encarecer bastante o projeto. Conhecer tipo de solo para entender quais os processos de fundação vão melhor se adaptar ao local é fundamental.

3.Exigências municipais e técnicas

Como já falamos cada prefeitura tem autonomia sobre a legislação construtiva do seu município, devemos realizar consultas regulares para saber quais são as diretrizes adotadas no zoneamento da área do lote trabalhado.

Os parâmetros fixos são: recuos, gabarito, taxa de ocupação, taxa de permeabilidade e coeficiente de aproveitamento. No projeto também devemos pensar na incidência de luz solar e ventilação natural da edificação.

Na planta de localização/implantação é comum e de bom senso representarmos a vegetação e as linhas topográficas. Já na de situação isso não é necessário.

Você sabe a diferença entre planta de situação e planta de localização?
Sebrae Brasilia.
Projeto: Alvaro Puntoni, Luciano Margotto, João Sodré e Jonathan Davies

Antes de finalizar é preciso dizer que planta de localização/implantação e planta de cobertura não são a mesma coisa. Na planta de cobertura teremos informações que não aparecem na implantação: direção das quedas d’água, acabamento do telhado, calhas, etc.

Esperamos que esse artigo tenha sido útil, caso tenha gostado e queira fazer alguma crítica, comentário ou sugestão de novos temas. Deixe sua mensagem que a gente lê de verdade.

Nessa matéria utilizamos como referência: Homify, A Arquiteta e a aula de desenho técnico do professor Smaniotto.

Caso precise citar esse artigo em algum trabalho de acadêmico utilize:

LOBO, Diego Augusto. Você sabe a diferença entre planta de situação e planta de localização? Habitamos, 2019. Disponível em: < http://www.habitamos.com.br/voce-sabe-a-diferenca-entre-planta-de-situacao-e-planta-de-localizacao/ >. Acesso em: “colocar data aqui”.

Assine a Newsletter do Habitamos

No spam guarantee.

Deixe seu comentário e contribua com o crescimento do Habitamos