Edifício Pátio Victor Malzoni Fonte: foto de Dalton Sala, 2015:

Hoje irei falar sobre a importância da preservação de edifícios históricos e como isso se relaciona com a economia, o turismo e com aspectos culturais da sociedade.

Esse tema foi recomendado por um leitor do site na nossa página do Facebook, agradecemos muito aos nossos seguidores e todas as pessoas que nos apoiam e trazem sugestões, porque nos ajudam a melhorar o site e nos incentivam a produzir cada vez mais.

Capa do livro História da Arte como história da cidade

Toda a cidade tem uma história que deve ser transmitida para as novas gerações. As vezes para entender o processo de evolução daquele povo, outras para preservar uma obra única e monumental, ou ainda para manter a memória dos erros cometidos pelos nossos antepassados, para que não se repitam no futuro.

Um problema recorrente em muitas cidades, é que construções históricas se tornam apenas objetos soltos, sem uso ou mal preservados, que correm o risco de se perder.

Muitos pensadores já trataram esse assunto, como por exemplo o Giulio Carlo Argan (1909-1992), teórico e historiador que em seu livro “História da arte como história da cidade” fala sobre como não devemos ter uma “zona histórica” e “zona moderna”, visando que todos esses espaços constituem o que é a cidade.

E alerta que uma cidade que trata seu patrimônio como apenas artefato do passado, não valoriza sua história, sua singularidade e cresce sem qualidade.

Museu Nacional do Rio de Janeiro Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Estadão Conteúdo

Nas cidades brasileiras existem muitos edifícios de importância histórica, alguns tombados, outros não. Muitos só são lembrados pela sociedade quando acontece algum desastre como por exemplo o acontecido ao Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Existe uma grande discussão sobre o tombamento de edificações, e se isso desvaloriza a edificação e torna qualquer reforma ou reparo uma tarefa extremamente burocrática, ao mesmo tempo que se discute que o não tombamento pode fazer esse patrimônio correr um grave risco de desaparecer.

Para que esse cenário mude, precisamos de duas ações:

Medidas públicas de incentivo a preservação

Temos por exemplo a Transferência do direito de construir, que permite ao proprietário do bem tombado, ganhar um crédito imobiliário do qual pode vender para um interessado em construir essas metragens extras que não serão construídas nesse terreno.

Porém seriam necessárias mais medidas de incentivo para que de fato compense a esse proprietário investir em um bem tombado.

Um exemplo interessante de como as políticas públicas de incentivo podem ajudar, é o cine teatro central em Juiz de Fora, que com o Programa de incentivo a cultura, a Lei de Mecenato, conseguiu apoio financeiro privado para o restauro e voltou a funcionar.

Palco do Cine-Theatro Central em Juiz de Fora — Foto: UFJF/Divulgação

Dar uso ao espaço

Para que o edifício não seja apenas um objeto abandonado, é importante investir em uma função para ele, isso abre a oportunidade de novos empregos e renda, além de torna-lo parte da cidade.

Uma boa referência é a Sala São Paulo, que foi uma obra de restauro que transformou uma antiga estação de trem em uma sala de concertos e orquestras, bastante importante e visitada.

Sala São Paulo – Foto/Imagem:Dario de Freitas

Quando a paisagem histórica é preservada pode se tornar um ponto turístico e fonte de uma nova economia como é a cidade de Ouro Preto, e muitos outros lugares que tem essa potencialidade, investindo em preservação e novos usos poderiam se apoderar disso.

Enfim esse tema é bem amplo e temos não só muitos outros aspectos a serem explorados futuramente nesse site com maior profundidade, como também muito trabalho, luta e pressão política para que nossa história seja preservada e que as cidades se tornem mais interessantes.

Agradecemos a sua visita e aceitamos recomendações de conteúdo e sugestões sobre o site.

Nesse artigo utilizamos como referência:

ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como história da cidade. 5ª edição, São Paulo, Martins Fontes, 2005.

ALCÂNTARA, Cristiane. Arte, arquitetura e cidade. 2004. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/03.034/3174. Acesso em: 07 abr. 2020.

LORES, Livia Debbané e Raul Juste. Antes que seja tarde: como dar novos usos ao patrimônio histórico. 2018. Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/cidades/patrimonio-sp-melhor-especial/. Acesso em: 07 abr. 2020.

Caso precise citar esse artigo em algum trabalho de acadêmico utilize:

MOREIRA, Nycolli.Uma breve introdução sobre edifícios históricos em contexto urbano. Habitamos, 2020. Disponível em: <http://www.habitamos.com.br/uma-breve-introducao-sobre-edificios-historicos-em-contexto-urbano/(abrir em uma nova aba)>. Acesso em: “colocar data aqui”.

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