Fonte: Carolina Lopes /Agência AL

Esta semana o habitamos trará como pauta a ecologia e o meio ambiente. Neste artigo irei falar sobre a relação dos rios e as cidades e discutir formas de amenizar alguns problemas relacionados a essa discussão.

Os rios sempre tiveram um importante papel no surgimento e crescimento de grandes cidades, seja para abastecimento, para a pesca, irrigação, recreação ou para o uso industrial, eles ofereceram e ainda oferecem recursos para a nossa sobrevivência.

Contudo, com o tempo passaram a ser vistos como um obstáculo para os carros em meio a selva de pedra das cidades, como solução, enterramos grande parte deles e ignoramos a existência daqueles que ainda estão a céu aberto.

A falta de “negociação” com a natureza trouxe consequências, que hoje são difíceis de lidar, não é raro vermos notícias sobre alagamentos aqui no Brasil. Por exemplo, este ano em São Paulo, tivemos dias caóticos, com o maior temporal registrado em 37 anos, o rio Pinheiros e o Tietê transbordaram deixando as marginais (grandes vias de circulação viária) intransitáveis, pessoas ficaram ilhadas e houve muitos prejuízos.

Mas o rios não são grandes vilões da história, as cheias são processos naturais que foram intensificados pela ação do ser humano, as canalizações dos corpos hídricos e a forma que desenhamos a cidade sem considerar o fluxo das águas.

Aqui no Habitamos, já foi recomendado um documentário que fala um pouco sobre como isso ocorreu em São Paulo, o “Entre Rios”, entrando neste link você encontra mais detalhes.

Hidrografia: rio Tietê. Foto José Cordeiro

Outros fatores que agravam essa situação são:

  • Poluição (lixo urbano, que pode provocar o entupimento dos bueiros que são responsáveis por conter parte da água que aumenta o nível dos rios)
  • Ocupações irregulares em áreas de risco/proteção ambiental (a construção de imóveis irregulares reduz a vegetação nativa que auxilia na drenagem, expõe pessoas à situação de risco por estarem em locais próximos a cheias e terrenos acidentados)
  • Falta de infraestrutura urbana e sanitária (sistemas de drenagem e esgoto ineficientes)

Outra coisa interessante de se pontuar é a falta de interação que temos com os rios em algumas cidades brasileiras, os rios cortam a cidade quase como uma cicatriz que divide os bairros, mas infelizmente as vezes se tornam objetos invisíveis aos olhos dos cidadãos.

É possível ver a cidade renegar a existência de suas águas no próprio desenho urbano, e nós acabamos perdendo totalmente a conexão com algo que poderia ser um espaço de lazer ou um ponto turístico, tornando-o apenas um enorme esgoto a céu aberto.

Como podemos amenizar estes problemas?

Visto que pensar em avanço tecnológico e melhorias da cidade como oposto ao meio ambiente nos trouxe grandes problemas, temos que nos concentrar em soluções que englobem essas duas áreas como partes importantes da cidade, não só para reduzir o perigo das enchentes, mas também por questões de saúde pública.

Com toda certeza as primeiras medidas para amenizar esses impactos são a despoluição dos rios e córregos, desocupação das áreas de risco e sistemas de infraestrutura urbana e sanitária mais eficientes.Mas o próximo passo é desenvolver planejamentos que aproximem esses rios das pessoas e da cidade.

Parque Madri, Rio Manzanares Fonte: Divulgação/Parque Madrid Rio

Parques lineares,  podem ser uma alternativa projetual interessante para as margens dos rios, além de auxiliar na permeabilidade das águas, podem se tornar áreas de convívio público, com atividades recreativas, equipamentos públicos que renovem a conexão das pessoas com o rio e outros inúmeros benefícios para a cidade.

Um projeto que podemos citar como referência para essas ideias é a intervenção parque Madri, nas margens do rio Manzanares, que tornou subterrâneos quilômetros de avenida e em troca ofereceu para a cidade uma praia urbana, parques e quadras esportivas.

GreenWay em Nova York Fonte:(Divulgação/wHY GROUNDS)

Outro exemplo interessante que pensa em tornar um rio em um atrativo urbano, é o GreenWay em Nova York, ele ainda não foi construído, mas propõe um parque linear de 82 quilômetros de extensão, com deques inspirados nas pontes em ziguezague japonesas e elevados que separam os diferentes usos do espaço, além de oferecer lugares de permanência e contemplação.

Parque Capibaribe; Fonte : http://parquecapibaribe.org

Em Recife também temos o Parque Capibaribe que assim como os exemplos já citados propõe um parque linear com áreas de passeio, lazer, ciclovias mas que também propõe formas para travessia de uma margem a outra através de pontes e barcos, e conecta pontos estratégicos em torno do rio.

Por fim também deixo como recomendação a iniciativa “Rios e Ruas” que busca realizar ações com a finalidade de sensibilizar as pessoas sobre a realidade dos rios esquecidos pela cidade, o que é algo hoje extremamente necessário, não só por tudo que foi citado acima, como também para que todos tenham maior conhecimento e ligação com os lugares que habitam.

Fonte: Site Rios e Ruas

Agradecemos a sua visita e aceitamos recomendações de conteúdo e sugestões sobre o site.

Nesse artigo utilizamos como referência:

SÃO, São Paulo. Em Nova York, projeto ‘Greenway‘ propõe parque ondulado para revitalizar o litoral da cidade. Disponível em: https://saopaulosao.com.br/exemplos/3366-em-nova-york-projeto-greenway-propoe-parque-ondulado-para-revitalizar-o-litoral-da-cidade.html#. Acesso em: 16 mar. 2020.

ASSAD, Leonor. Cidades nascem abraçadas a seus rios, mas lhes viram as costas no crescimento. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252013000200003. Acesso em: 16 mar. 2020.

Caso precise citar esse artigo em algum trabalho de acadêmico utilize:

MOREIRA, Nycolli. Os rios também fazem parte da cidade. Habitamos, 2020. Disponível em: < http://www.habitamos.com.br/os-rios-tambem-fazem-parte-da-cidade/ >. Acesso em: “colocar data aqui”.

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