Fonte: Habitamos

Para projetar qualquer edificação é importante ter em mente todas as atividades que serão exercidas dentro daquele espaço, por conta disso é interessante produzir um programa de necessidades, mas se você ainda não conhece esse termo, não se preocupe, que hoje viemos explicá-lo.

Programa de necessidades, programa de usos ou briefing é o conjunto de todas as necessidades sociais e funcionais de um determinado espaço. Ele serve como base para o desenvolvimento do projeto, e é umas das etapas que mais requer conversa, observação e empatia, pois é o momento em que se entende quais são as expectativas do cliente/quem vai usar o espaço.

Essas necessidades também englobam: dimensões de áreas, variáveis sociais, culturais, econômicas e qualquer observação que seja importante para as tomadas de decisão. O arquiteto precisa pegar todas as expectativas do cliente, analisar, estruturar e assim levantar questões sobre o contexto em que o projeto está inserido, seu lugar na cidade, dentre outras coisas.

E com todas estas informações recolhidas você consegue uma tabela bastante importante que o auxilia junto a outros estudos na elaboração de um bom partido arquitetônico. Quanto mais completo for o programa, mais discussões são feitas e há mais possibilidades de ter uma boa qualidade em sua produção.

Como elaborar um programa de necessidades

Fonte: Alvaro Reyes/unsplash

Mas aí você me pergunta: “o que é necessário para conseguir elaborar um plano de necessidades?” ou ainda “onde consigo todas essas informações?”. Bom, existem diversas técnicas para se elaborar um programa de necessidades, pois existem muitas formas de se organizar os dados, trouxemos algumas das principais etapas que você precisa cumprir para fazer um bom programa.

A primeira coisa a se fazer é recolher as informações que estarão no documento, buscando em diferentes locais e pensando em todos os aspectos que serão importantes para o seu projeto, lembrando sempre do contexto em que ele será inserido. Para encontrar esses dados você terá como alternativas:

Conversar com quem vai usar o espaço

Como já foi dito, o conhecimento de quem serão os usuários do espaço e suas expectativas, é muito importante para conseguir prever diversos aspectos do projeto. Nesta etapa é necessário buscar não apenas sobre dimensionamento de áreas, pois isso pode fazer toda a diferença na qualidade do espaço.

Buscar por referências

Ao buscar projetos que tenham semelhanças de uso, metragem, terreno, materiais e etc, você pode encontrar alguns exemplos de dimensionamento, entender o funcionamento de um determinado uso, descobrir novas necessidades ou também encontrar erros que possam ser evitados.

Livros, manuais e legislações

Através de livros, manuais de arquitetura e artigos de legislação também é possível conseguir dados de dimensionamento, espaços obrigatórios e informações técnicas que podem ajudar a compor sua tabela.

Ao conseguir as informações, vai ser necessário fazer uma analise para organizar e hierarquizar, de acordo com os conceitos projetuais, restrições e fatores determinantes. Assim você irá enxergar quais áreas precisam ficar mais próximas, ou quais serão destaque no projeto e como categoriza-las. Para ajudar nessa organização podemos utilizar fluxogramas e/ou organogramas.

Fluxograma

É um método de representar passo-a-passo as etapas de algum processo, muitas vezes usado para ilustrar de forma descomplicada o acesso e os fluxos entre diferentes áreas de uma edificação, sendo ótimo para setorizar e categorizar áreas, usando o percurso para alguma atividade.

Um fluxograma pode ser linear onde de fato só mostra a sequência de ações, ou pode ser funcional que aliado a isso também mostra as pessoas, setores ou responsáveis por estes acontecimentos. E tudo isso é feito através de simbolos ou cores que representam em qual status está ou será feita cada etapa.

Organograma

É um gráfico organizacional que mostra itens de acordo com sua distribuição, aproximação e hierarquização, assim podemos definir quais áreas estarão próximas, ou quais são as que precisam de maior destaque e como podem ser distribuídas.

Fonte: Habitamos

Com o organograma e/ou fluxograma em mãos você finalmente consegue fazer uma tabela que contenha os nomes dos ambientes, dimensões, áreas e anotações, separados também por categorias para facilitar a leitura como no exemplo abaixo:

Programa de necessidades embasado na tese de doutorado de Ivanise Lo Turco Fonte:tonsdaarquitetura

Essa tabela pode ser feita de muitas maneiras, e dependendo da complexidade do projeto podem ter mais ou menos categorias de divisão. O importante é que ela consiga sintetizar todas informações obtidas nas etapas anteriores e que seja de fácil leitura.

E assim finalizando o programa de necessidades e aliando ele a outros estudos, é possível fazer um bom projeto, que pensa nos espaços não apenas bem dimensionados, mas que levam em consideração aspectos muito mais complexos de maneira bem estruturada. Fazendo arquiteturas que atendam necessidades tanto das pessoas que irão usar o espaço propriamente dito e também as cidades em que ele se insere.

Esse artigo teve como objetivo explicar oque é programa de necessidades e como se pode elabora-lo, esperamos ter ajudado.O Habitamos agradece sua visita, caso tenha alguma crítica ou sugestão de tema deixe um comentário.

Referências

DAMASCENO, Nayara. A importância do programa de necessidade (briefing) antes do desenvolvimento do projeto arquitetônico . Disponível em:< https://assets.ipog.edu.br/wp-content/uploads/2019/12/07015621/nayara-pereira-damasceno-1431730.pdf> Acesso em: 01 dez. 2020.

LIMA, Aryane. O que é Fluxograma e Organograma? . Disponível em:<https://projetobatente.com.br/o-que-e-fluxograma-e-organograma/ >Acesso em: 01 dez. 2020.

Caso precise citar esse artigo em algum trabalho de acadêmico utilize:

MOREIRA, Nycolli. O que é programa de necessidades?. Habitamos Arquitetura, 2020. Disponível em: <http://www.habitamos.com.br/o-que-e-programa-de-necessidades/>. Acesso em: “colocar data aqui”.

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