Quase toda criança, em algum momento da vida, gosta de brincar de construir casinha, arranha-céu, pista de corrida, ferrovia pros seus trenzinhos. As referências de arquitetura e urbanismo que temos quando pequenos são uma mistura do que vemos no cotidiano com os universos fantásticos que nos são apresentados pela ficção. O resultado são desenhos e maquetes de obras que hoje, adultos, acreditamos serem inviáveis.

Pensando assim, é até fácil imaginar que Antoni Gaudí, ao conceber seus projetos, carregava consigo ainda o instinto infantil de que nada é impossível. O arquiteto catalão é famoso por ter dado um jeito de colocar em pé todas as formas arrojadas que sua inspiração pela natureza pudesse criar. Seus projetos arquitetônicos avançavam pelo design de interiores, chegando até as cadeiras, luminárias e puxadores dos móveis que completariam o conjunto construído.

Escultura de salamandra na entrada do Park Güell, parte integrante do projeto arquitetônico de Gaudí. Fonte: Suzana Universo/Acervo Habitamos.

A arquitetura de Gaudí carrega sua paixão pela natureza em formas, cores e estrutura estudadas milimetricamente pelo arquiteto. Seu estilo é perfeito para apresentar a arquitetura e o patrimônio histórico às crianças, prova disso é um dos programas infantis favoritos das crianças brasileiras dos anos 90: o Castelo Rá-Tim-Bum.

O castelo cenográfico onde o programa se desenvolve tem muitas semelhanças com elementos da Casa Batlló, que foi um projeto de reforma de Gaudí para um prédio construído em 1877 em Barcelona, como as janelas curvas. Às vezes, a natureza aparece tão claramente nas duas obras que podemos identificar as referências, como nas janelas que se parecem com cascos de tartaruga.

Janelas curvas no cenário do Castelo Rá-Tim-Bum (Fonte: https://cultura.uol.com.br/programas/castelo/) e na casa Batlló (Fonte: Suzana Universo/Acervo Habitamos)
Janelas que se parecem com cascos de tartaruga no Castelo Rá-Tim-Bum (Fonte: TV Cultura) e na Casa Batlló (Fonte: Suzana Universo/Acervo Habitamos)

Na Casa Batlló, os corrimãos de metal e madeira parecem plantas que brotam das paredes, a lareira tem formato de cogumelo, o fosso de iluminação parece mergulhado em água, e o telhado tem forma de dragão. Todos os elementos da casa levam os visitantes para uma viagem a um universo onde até os adultos mergulham em uma fantasia arquitetônica. Os visitantes se pegam apontando para as coisas e dizendo com o que se parecem, como crianças emprestando sua imaginação às coisas do mundo real. A obra de Gaudí tem esse poder: de nos lembrar por um momento da nossa infância.

Corrimão em metal e madeira da escada comum da casa Batlló. Fonte: Suzana Universo/Acervo Habitamos.
Vista do fosso de iluminação da Casa Batlló através do vidro do guarda-corpo. A sensação do visitante é de estar imerso em água. Fonte: Suzana Universo/Acervo Habitamos.

Incentivadas pela facilidade de aproximação das crianças à arquitetura através da obra de Gaudí, várias editoras já lançaram livros infantis sobre o arquiteto. Alguns são ilustrados, de colorir, ou até mesmo de adesivos, como o Arte Com Adesivos: Gaudí, da editora Ciranda Cultural. A proposta do livro é apresentar a vida do arquiteto em páginas que podem ser completadas com adesivos pelos pequenos.

Livro Arte com adesivos: Gaudí. Fonte: Editora Ciranda Cultural

Ensinar arquitetura às crianças é uma forma de ajudá-las a desenvolver senso artístico e espacial, familiaridade com cores e formas, noções de estrutura e até mesmo de matemática.

Nós, do Habitamos, acreditamos que presentear as crianças com livros, filmes, entre outros produtos culturais é uma forma de investir em seus futuros. Participando com elas de atividades que estimulem o conhecimento e o desenvolvimento de habilidades, podemos contribuir com a criação de adultos que construirão um mundo melhor. Se você quiser conhecer uma dessas atividades, foi lançado um desafio de arquitetura para crianças em isolamento social devido à pandemia do Covid-19. Clique aqui para saber mais e participar também.

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