Dia de luta – Arquitetas Invisíveis

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Ilustração: Arquitetura na Periferia

Nesse artigo vamos apresentar dados referentes a presença de profissionais mulheres na Arquitetura e Urbanismo do Brasil, também mostraremos iniciativas que buscam visibilidade dessas profissionais.

Nós acreditamos que as mulheres e homens devem ter direitos e reconhecimento de maneira igualitária, mas infelizmente a realidade é outra e ainda existe muito trabalho e luta pela frente.

Além disso o Habitamos não quer ser só mais um site que faz uma lista com um número X de arquitetas que merecem visibilidade e acabam recebendo atenção só nessa data. Por isso nós resolvemos criar uma sessão fixa dedicada a gerar visibilidade a produção feminina (em breve será disponibilizada no menu).

A principio vamos produzir material sobre esses conteúdos pelo menos duas vezes ao mês, mas caso a equipe aumente ou apareça alguém interessada/o em colaborar com esses temas podemos incrementar a frequência de produção.

Dados importantes

Você sabia que segundo o CAU (2019) as mulheres representam cerca de 63,10% do total de profissionais na Arquitetura e Urbanismo? Mais de 50% dos Registros de Responsabilidade Técnica (RRTs) de projetos são registrados no Conselho por mulheres.

Entre os estudantes de arquitetura as mulheres representam 67% nas salas de aula. Apesar disso a maioria dos créditos e visibilidade ainda é dos homens.

O CAU/BR divulgou alguns gráficos onde podemos ver a disposição entre homens e mulheres por faixa etária. É interessante perceber que nas faixas de 20 a 60 anos as arquitetas são maioria, enquanto os homens só assumem o posto de maioria após a faixa de 60 anos.

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Fonte: CAU/BR

A pesquisa também mostrou a distribuição de profissionais por estados, São Paulo tem o maior contingente com 53.541 registros sendo que 33.057 são mulheres. Os únicos estados onde os homens superam as mulheres em quantidade são Amapá e Acre.

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Fonte: CAU/BR

Além de dados sobre distribuição o CAU/BR também divulgou um gráfico com a distribuição das arquitetas e urbanistas no mercado de trabalho.

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Fonte: CAU/BR

Outro ponto constatado no diagnóstico do CAU/BR é 17% dos prêmios em concursos públicos de Arquitetura e Urbanismo foram ganhos por equipes com lideranças femininas.

De acordo com o CAU/BR, para Marina Lima de Fontes, pesquisadora e arquiteta e urbanista brasiliense,  “é impressionante descobrir que praticamente todos os “grandes arquitetos” ou “grandes homens” da história da arquitetura e do urbanismo tiveram esposas também arquitetas trabalhando ao seu lado, ou melhor, à sua sombra, no desenvolvimento de seus projetos. Quando não esposas, existem sócias ou co-autoras que não receberam qualquer crédito ou reconhecimento pelo trabalho desenvolvido” (dissertação “Mulheres invisíveis: a produção feminina brasileira na arquitetura impressa no século XX por uma perspectiva feminista”).

Esse número poderia ser maior, mas ainda hoje as mulheres encontram resistência para conseguir cargos de poder, não apenas na Arquitetura, mas no mercado como um todo. Abaixo mostramos um gráfico com os percentuais de representatividade feminina na arquitetura e urbanismo.

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Fonte: CAU/BR

Segundo a historiadora Beatriz Colomina, professor na Universidade de Princeton e pesquisadora de gênero e arquitetura “as mulheres são os fantasmas da arquitetura moderna, sempre presentes, cruciais, mas estranhamente invisíveis”. A frase está  no ensaio “With or Without you: Ghosts of Modern Architecture”, publicado em um catálogo de 2010 do Museu de Arte Moderna de Nova York sobre mulheres artistas e inspirou, no Brasil, o coletivo Arquitetas Invisíveis.

A frase está  no ensaio “With or Without you: Ghosts of Modern Architecture”, publicado em um catálogo de 2010 do Museu de Arte Moderna de Nova York sobre mulheres artistas e inspirou, no Brasil, o coletivo Arquitetas Invisíveis.

Coletivos femininos sobre arquitetura

Existem iniciativas bacanas que merecem reconhecimento pelo trabalho de pesquisa e militância na luta por visibilidade da produção feminina na arquitetura, nós vamos mostrar alguns coletivos que vale a pena conhecer.

Arquitetas Invisíveis

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Fonte: Arquitetas Invisíveis

O Coletivo Arquitetas Invisíveis é uma ação que busca promover a igualdade de gênero dentro do âmbito da arquitetura e do urbanismo, por meio do reconhecimento e divulgação da vida e obra de arquitetas desprestigiadas pela história.

Criado por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, a primeira iniciativa do grupo foi no sentido de ampliar o repertório dos estudantes e profissionais de arquitetura e urbanismo e, ao mesmo tempo, incitar a discussão sobre gênero no meio acadêmico e profissional.

Em março de 2015, em homenagem ao mês da mulher, o coletivo Arquitetas Invisíveis publicou junto ao site ArchDaily (em português, inglês e espanhol) um compilado sobre a extensão de nossa pesquisa, apresentando 48 mulheres.

O site do Arquitetas Invisíveis tem muito material sobre conteúdo produzido por arquitetas, urbanistas e paisagistas.

Arquitetas Negras

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Fonte: Arquitetas Negras

Arquitetas Negras é uma iniciativa das Arquitetas Gabriela de Matos e Bárbara Oliveira. Em 2018 elas criaram uma página no Facebook e começaram a divulgar material buscando a visibilidade da Arquitetura produzida por mulheres Negras.

Segundo uma matéria publicada pelo CAU/MG “o objetivo dessa iniciativa é mapear a produção dessas arquitetas e criar uma plataforma tanto para pesquisa quanto para contratação, para diminuir a desigualdade racial e de gênero na Arquitetura”.

Com previsão de lançamento para o início do segundo semestre de 2019, a Revista Arquitetas Negras vol. 1 está sendo produzida por meio de financiamento coletivo, com conteúdo produzido e pensado por arquitetas negras.

Você pode conferir a página delas no Facebook aqui.

Arquitetura na Periferia

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Fonte: arquitetura na periferia

Esse coletivo tem uma pegada bem social e de empoderamento feminino. O projeto Arquitetura na Periferia reúne e capacita mulheres para a independência do instalar, reformar e construir a sua própria casa. Elas oferecem assessoria técnica a grupos de mulheres de baixa renda para a melhoria da moradia.

Nesse coletivo as mulheres são apresentadas às práticas/técnicas de projeto e planejamento de obras, para que conduzam com autonomia e sem desperdícios as reformas de suas próprias casas.

O Arquitetura na Periferia nasceu em 2013 com a pesquisa de mestrado da arquiteta Carina Guedes e em 2016 recebeu apoio financeiro da BrazilFoundation o que possibilitou a criação de novos grupos de trabalho. De 2017 até hoje o grupo tem arrecadado recursos através do sistema de crownfunding para poder ajudar e dar continuidade ao projeto.

Para conhecer a página delas clique aqui e para colaborar no catarse do pessoal vamos deixar o link disponível aqui.

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Projeto Arquitetura na Periferia ensina mulheres a construir suas casas.
Fotografia: Arquitetura na Periferia

Esse artigo do Habitamos termina por aqui, mas ainda tem muita coisa para discutir sobre gênero, raça e visibilidade na arquitetura. Esperamos que tenham gostado e estamos sempre abertos a criticas, sugestões e contribuições.

Se você acha que pode ajudar o Habitamos a produzir mais conteúdo e melhorar a qualidade do material que disponibilizamos por favor entre em contato conosco.

Nesse artigo utilizamos como base o diagnóstico realizado pelo CAU/BR, disponível aqui. Também usamos como base os sites e páginas mencionados ao longo do texto.

Caso precise citar esse artigo em algum trabalho de acadêmico utilize:

LOBO, Diego Augusto. Dia de luta – Arquitetas Invisíveis. Habitamos, 2019. Disponível em: <http://www.habitamos.com.br/dia-de-luta-arquitetas-invisiveis/>. Acesso em: “colocar data aqui”.

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