Como escolher cores na Arquitetura: Ouro

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Cidade do Vaticano. Fotografia: Jace & Afsoon

Esse é o quinto artigo da série chamada “Como escolher cores na Arquitetura”, dessa vez falaremos um pouco sobre o uso de Ouro na arquitetura. Para seguir com a leitura é interessante conhecer os outros textos. Se você não quiser fazer isso agora, não tem problema.

Introdução

Nos artigos anteriores nós explicamos como as cores influenciam nossas emoções e comportamento dentro dos ambientes.

Nós também explicamos como o corpo humano percebe as cores de maneira única, ninguém vê o mesmo tom de cor que você. Esse é o motivo de termos códigos para definir as cores e facilitar seu reconhecimento.

A série “Como escolher cores na Arquitetura” foi escrita com base no livro:

A Psicologia das cores: Como as cores afetam a emoção e a Razão da autora alemã Eva Heller.

Como escolher cores na Arquitetura: Laranja, Violeta e Rosa

Dourado

“Quem pensa em ouro pensa, primeiramente, no metal nobre. Ouro é dinheiro, é sorte, é luxo – Eva Heller”

O Ouro é um metal precioso que foi motivo de disputas e invasões pelo mundo todo, no caso de alguns países do continente africano isso ainda é uma realidade nos dias atuais.

Os tons dourados sempre estiveram presentes nas grandes sociedades da história humana, Pré-colombinos, Egípcios, Gregos, Romanos entre outros.

O dourado nessas civilizações não é apenas adorno da riqueza, existem casos onde se torna mitológico como na cidade de fantástica de Eldorado e o Velocino de Ouro do Jasão e os Argonautas.

Como escolher cores na Arquitetura: Ouro e Prata
Eldorado a cidade de ouro. Fonte: History Collection

As várias lendas sobre cidades e vales construídos com ouro foram construídas no imaginário das pessoas, isso gerou diversas excursões pelo mundo, causando assim saques, guerras e destruição na conquista de territórios e busca por metais e pedras preciosas.

Talvez você não saiba, mas o continente europeu como é conhecido hoje e a época do renascimento só foram possíveis devido as grandes quantidades de ouro, pedras e outros metais preciosos provenientes da exploração do Novo Mundo. Foram esses recursos que financiaram as navegações e o desenvolvimento da Europa.

Divina proporção, regra de ouro

Na arquitetura e no design temos uma coisa chamada proporção áurea, também conhecida como regra de ouro. Lá por volta o Séc. V a.C, um sujeito chamado Pitágoras começou a estudar o número Phi que corresponde a 1,618 e segundo ele Phi era a proporção usada por Deus para dar forma ao mundo.

Obs: Não confundir Phi (1,618) com Pi (3.1415….)

Muitos anos depois, lá por volta de 1200 d.C, um matemático chamado Leonardo Fibonacci desenvolveu a série de Fibonacci, ele descobriu a partir de um estudo populacional de coelhos que a média de proporção do crescimento é de 1,618.

Posteriormente essa proporção ficou conhecida como divina proporção, regra de ouro e hoje conhecemos como proporção áurea. Mas o que é isso no final das contas?

Pitágoras e Fibonacci fizeram um monte de cálculos (que eu não vou colocar aqui) para definir o que seria o valor perfeito em proporções. Mas o resumo da opera é que a média de proporção de crescimento de uma forma perfeita é sempre 1,618. Esse valor se repete tanto em coisas construídas, quando em objetos disponíveis na natureza.

Leonardo da Vinci fez a relação entre a proporção áurea e a anatomia em seu desenho do Homem Vitruviano, nesse desenho ele apresenta a regra das proporções e simetria aplicadas ao corpo humano através da representação de um homem com proporções perfeitas no espaço de figuras geométricas perfeitas.

Além do homem vitruviano Da Vinci teria aplicado a proporção áurea em “A Última Ceia” e “Mona Lisa”. Outros artistas que também teriam feito uso desse conceito foram: Michelangelo, Botticelli, Raphael, Rambrandt e Salvador Dali.

O pessoal da arquitetura e do design que não é nada bobo, percebeu que essas formas perfeitas produzem efeitos mais agradáveis visualmente e começaram a aplicar isso em seus trabalhos.

Os construtores do Egito antigo utilizavam bastante dessas formulas para a edificar suas piramides, o mesmo aconteceu com os arquitetos e artistas na Grécia Antiga.

Até hoje a proporção áurea é utilizada em arquitetura e design, principalmente no que diz respeito ao desenho de marcas e volumes simétricos. Você pode não saber, mas talvez seu toque de simetria tenha um pé nisso ai.

Na arquitetura de interiores

Como escolher cores na Arquitetura: Ouro e Prata
Igreja de São Francisco, Salvador. Fonte: Mochileiro40tao

Durante vários séculos o ouro foi utilizado na arquitetura para demonstrar riqueza e poder, vemos isso em igrejas, palácios, mobiliários e até mesmo utensílios domésticos.

A cor dourado na arquitetura representa a felicidade, sorte, boa aventurança, luxo, riqueza e elegância. Esse tom combina bem com cores mais neutras como branco e preto.

Como escolher cores na Arquitetura: Ouro e Prata
Projeto: Mauricio Karam. Fonte: VivaDecora

Dourado é uma cor que combina com várias tonalidades e materiais, ao lado de tons escuros traz uma pegada mais sofisticada e majestosa. Se combinado com cores claras e pastéis passa uma descrição maior, mas mantendo a elegância.

Como escolher cores na Arquitetura: Ouro e Prata
Projeto: Kelly Deck. Fonte: decorsalteado

A cor também combina muito bem com madeira, tecidos e gesso. Uma combinação que funciona é o dourado com vermelho, essa dupla remete a eventos festivos, realeza e teatralidade. Essas cores são muito utilizadas no oriente devido a ligação do ouro e o vermelho com misticismo.

IMG 2517 - Como escolher cores na Arquitetura: Ouro
Monastério Budista na Escócia. Fotografia: Ziggy

Quando falamos de usos residenciais, é bom evitar o excesso de dourado, principalmente em ambientes com muita luz natural, pois sua presença pode aumentar a temperatura do espaço e causar irritação na vista.

Como escolher cores na Arquitetura: Ouro e Prata
Fonte: Hgtv

Os melhores locais para utilizar o dourado em interiores são aqueles que podem ser valorizados com pequenos detalhes, seja uma maçaneta, uma torneira, um desenho no papel de parede ou até mesmo uma luminária.

Bons lugares para se usar o dourado são banheiros, cozinhas e espaços de jantar/estar. Agora se você gosta de ostentar e detalhes não são o suficiente, fica com essa banheira da riqueza.

Esse artigo faz parte de uma série sobre cores no design de interiores que originalmente foi pensada para ser 6 textos, mas para evitar conteúdos muito extensos optamos por separar algumas cores que seriam apresentadas juntas como foi o caso do Ouro e Prata.

Vocês acabaram de ler a quinta publicação, ainda teremos as cores Prata, Marrom e Cinza.

O material foi dividido para que a leitura fosse fácil e dinâmica de modo a não tomar muito do seu tempo e ser de fácil consulta.

O Habitamos agradece sua visita e nos acompanhe para saber mais sobre cores na arquitetura.

Caso queira saber mais sobre design de interiores clique aqui.

Se precisar citar esse artigo em algum trabalho de acadêmico utilize:

LOBO, Diego Augusto. Como escolher cores na Arquitetura: Ouro. Habitamos, 2019. Disponível em: <http://www.habitamos.com.br/como-escolher-cores-na-arquitetura-ouro/>. Acesso em: “colocar data aqui”.

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